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Verão à Paraibana
Quer ter chances reais de duelar com um tarpon e, de quebra, “passar o tempo” fisgando robalos, pescadas, caranhas e tucunarés nestas férias de verão? Considere seriamente eleger como seu destino a Paraíba, que desponta cada vez mais como grande point para a pesca esportiva no Nordeste.
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Sou suspeito, mas ao mesmo tempo creditado para dizer: a Paraíba é privilegiada, e uma grande escolha para quem procura um local para passar as férias de verão. O Estado possui cidades com imenso apelo turístico sem deixar de lado a segurança e muita tranquilidade, coisa difícil de ser encontrada hoje em dia. Com temperatura média na casa dos 33 graus, literalmente não há tempo ruim no verão paraibano. As principais atrações ficam por conta de lindas praias, extensas regiões de mangue e grandes açudes. A capital, João Pessoa, é encantadora e cheia de bons títulos: segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), figura como a segunda cidade mais com mais verde no mundo. É, também, o terceiro centro urbano mais antigo do país, com 410 anos de fundação, além de ser a capital brasileira que apresenta o menor índice de criminalidade. Para completar, é o lugar onde o Sol nasce primeiro no Brasil, abrigando o ponto extremo-oriental das Américas: a Ponta do Seixas. Como se vê, atrativos para conhecer a Paraíba a passeio não faltam. Mas vale a pena viajar até estas bandas para... pescar? Se peixes como tarpons, robalos, caranhas, pescadas e tucunarés – todos pegos com iscas artificiais – fazem parte de seus planos de viagem, a resposta é sim. |
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Redenção
Como acontece todo ano, depois de quase cinco meses de muita chuva, vento e muita espera, nossos grandes pesqueiros voltam à plena forma. Com a chegada do verão e os ventos mudando radicalmente de direção, passando a soprar de sul para nordeste, os grandes cardumes de sardinhas, paratis, manjubas e tainhas, entre outras espécies, migram do alto-mar em direção à costa, adentrando os manguezais para completarem seu ciclo de reprodução. Esses cardumes também atraem uma série de predadores famintos, que aproveitam para passar pelo mesmo processo de reprodução usando o mangue como grande berçário para seus filhotes. Outro fator importante nesta época do ano é a elevação das temperaturas, que, conjugada a períodos mais prolongados de ausência de chuvas, reduz consideravelmente o nível de alguns açudes e barragens, tornando as pescarias de tucunarés, tambaquis e traíras mais fáceis e fartas.
O pescador esportivo que pretende se aventurar em águas paraibanas pode ter a certeza de que não existe época mais propícia para praticar sua paixão. Prova disso é que, ainda neste início de estação, já foram vários os exemplares de grande porte que subiram para a foto, deixando-nos muito otimistas em relação ao restante da temporada. Alerto somente aos pescadores menos atentos que façam uma bela revisão em sua tralha, reforçando linhas e garateias e deixando tudo em dia. Porque nossos grandes astros já começaram a “aprontar” com os pescadores, puxando conjuntos inteiros para dentro da água, estourando linhas e “saboreando” iscas artificiais como se fossem gomas de mascar! Confira, a seguir, um breve roteiro mostrando onde e como conquistar os nervosos troféus paraibanos. |
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1. MANGUES E PRAIAS
Principais peixes: robalos (peva, flecha e “trique”), pescada-amarela, xaréu-verdadeiro, salteira, mero, caranha, vermelhos e nosso maior desafio, o tarpon.
Onde: é impossível falar em pesca na Paraíba sem ter como referência a bacia de nosso querido rio de mesmo nome. O rio Paraíba banha dezenas de municípios importantes, passando pela região mais urbanizada e industrializada do Estado. Em sua área de abrangência estão incluídas as cidades de João Pessoa e Campina Grande, o segundo maior centro urbano paraibano. Seu curso total é de 380 quilômetros e segue no sentido sudoeste-leste até desaguar no Oceano Atlântico, entre os municípios de Cabedelo, Lucena, Santa Rita, Bayeux e João Pessoa. Em seu estuário encontram-se: o Porto de Cabedelo (escoadouro da capital paraibana), muitos manguezais, dezenas de desembocaduras de rios menores e uma série ilhas, como as da Restinga, a Ilha Stuart e a Tiriri. A grande área torna a bacia excelente para a prática de uma série de esportes náuticos, mas é a pesca quem vem roubando a cena nos últimos anos, principalmente pela facilidade de se encontrar cobiçados peixes como os robalos e o internacional tarpon. Além da pesca, o rio Paraíba ainda reserva outra grande atração em todos os finais de tardes.
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Além da pesca, o rio Paraíba ainda reserva outra grande atração em todos os finais de tardes.
Por tradição, o pôr-do-sol nos bares às margens do rio acontece ao som do Bolero de Ravel, cuja execução termina invariavelmente junto aos últimos suspiros do sol, nesse santuário de beleza sem igual.
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Modalidades:
> Corrico “pesado”: é usado para a captura de xaréus e peixes de grande porte como robalões e tarpons. Durante a navegação de um ponto para outro, o pescador deve ficar de olhos atentos ao leito do rio em busca de cardumes de predadores ativos. Eles são facilmente identificados através da formação dos famosos “rebojos”, além de ataques explícitos que também podem ser ouvidos a certa distância. Quando detectados, o pescador deve posicionar o barco em direção a eles e acelerar com força total. Quando notar que está a cerca de 10 metros do “epicentro” da ação, deve arremessar a isca para trás, deixando-a a cerca de 25 metros da popa do barco. A vara deve então ser colocada no suporte, reduzindo-se a velocidade da embarcação para a casa dos 8 nós (ou 15 km/h). Geralmente, os primeiros ataques já ocorrem em menos de 50 metros de navegação. O conjunto recomendado é composto por vara de 6 pés, classe 30 libras, equipada com carretilha ou molinete abastecido com pelo menos 250 metros de linha de multifilamento 0,35 mm, líder de fluorcarbono 0,60 mm, snap reforçado e iscas de barbela com tamanho de 15 a 20 centímetros e peso entre 30 e 40 gramas.
> Corrico “leve”: destina-se a robalos de porte médio e, principalmente, baby tarpons. Diferentemente da opção anterior, nesta o pescador vai buscar os peixes diretamente em seu habitat, ou seja, nos vários afluentes do rio Paraíba em que a presença de cardumes de baby tarpons e robalos é garantida. Como são rios estreitos e menores, o pescador pode começar a corricar de imediato, sem precisar aguardar os ataques na flor d’água. A maior diferença está na velocidade, que pode ser de 4 nós (ou 8 km/h), e nos equipamentos. Recomenda-se vara de 5’6” a 6 pés, classe 17 libras, equipada com carretilha ou molinete com pelo menos 100 metros de linha de multifilamento 0,28 mm e líder de fluorcarbono 0,50 mm. As principais iscas são jigs de penacho e shads de silicone de 9 a 12 cm, pesando no máximo 21 g, e alguns plugs de barbela curta com no máximo 10 centímetros e 20 gramas. Dê preferência a iscas nas cores branca, verde-limão, azul com branca e amarela. |
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Dicas: em ambas as formas, se a pescaria for praticada por mais de um conjunto, é importante que exista uma distância mínima de 5 metros de uma isca para a outra. Por exemplo, se o primeiro pescador lançar sua isca a 25 metros da popa do barco, o outro deverá lançar a sua a 20 metros. Também é muito importante que, quando uma das varas sofrer uma ação, a linha da outra seja recolhida o mais rápido possível, evitando embaraços que podem resultar na perda do peixe fisgado. |
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> Baitcasting ou pesca de arremesso:como existe uma variedade muito grande de estruturas no rio Paraíba, a pesca de arremesso é, sem dúvida, uma das mais praticadas localmente. Não é preciso navegar grandes distâncias para duelar com um bom peixe, as estruturas vão desde os próprios píeres ou trapiches das marinas a pequenas embarcações naufragadas praticamente em frente aos pontos de partida. No verão, esses locais também recebem robalões, pescadas-amarelas de grande porte e as dentuças caranhas. O pescador deve ficar bem atento aos seguintes pontos para ter sucesso e garantir suas fisgadas:
1. As melhores marés são sempre as de quarto minguante ou crescente, ou seja, com pouca variação;
2. Deve-se ter disposição para acordar bem cedo, já que muitas vezes a pescaria é definida nas primeiras horas da manhã;
3. É importante ter uma tralha bem diversificada, que sirva tanto para a pesca com iscas artificiais como com iscas naturais;
4. Prevenir-se consumindo muita água e usando roupas leves, bonés e óculos polarizados, além de protetor solar, garantirá um dia de pesca confortável e saudável;
5. Ter o auxílio de um guia local é de extrema importância para conseguir chegar aos principais pontos de pesca;
6. O uso de empate de aço nos pequenos naufrágios é recomendado pela real possibilidade de se fisgar caranhas nesses locais.
Um bom conjunto para a modalidade de arremesso pode ser composto por uma vara de 5’6”, classe 17 libras, equipada com carretilha de perfil baixo abastecida com 100 metros de linha de multifilamento 0,28 mm e líder de fluorcarbono 0,48 mm. As principais iscas artificiais são: camarões artificiais, shads de silicone pequenos, plugs de superfície (sticks, “zaras” e poppers) e meia-água com no máximo 11 centímetros e jumping jigs pesando no máximo 21 gramas. As iscas naturais mais usadas são camarões e pequenos peixes, ambos vivos, tanto no fundo como com boias de arremesso. Os camarões vivos são comprados no próprio local, de ribeirinhos que os pescam e os mantêm vivos nas próprias canoas. A unidade sai em média a R$ 0,30.
> Pesca de praia: a Paraíba também oferece uma grande variedade de praias paradisíacas onde o pescador tanto poderá praticar a modalidade de surf casting como o baitcasting. Exemplo disso são as praias de Intermares, localizada no município de Cabedelo (a 17 km João Pessoa), do Coqueirinho (35 km ao sul de João Pessoa) e da Baía da Traição (a 80 km da capital). Todas são excelentes opções para quem pretende fisgar pampos, robalos, caranhas, xaréus, tarpons e muitas outras espécies de água salgada.
Para a prática do surf casting, recomendam-se varas de 2,8 a 4,5 metros, além de molinetes que comportem 150 a 200 metros de linha 0,25 mm (de mono ou multifilamento), além de líder de fluocarbono 0,45 mm (do tamanho da vara), chicote de engate rápido, chumbada de 100 a 150 gramas e anzóis 5/0 a 8/0. As iscas mais usadas são: “camarão-vila-franca”, tatuí, filé de sardinha, lula, corrupto e sardinhas ou saúnas vivas. O baitcasting com os pés na areia pode ser realizado com varas de 6 a 7 pés, classe 25 libras, equipadas com carretilhas ou molinetes com 150 metros de linha de multifilamento 0,30 mm e líder de fluorcarbono 0,55 mm. Entre as iscas indicadas estão plugs de superfície com ação de ziguezague e shads de silicone, ambos com 12 a 15 centímetros.
Dica: como o baitcasting é praticado nessas praias de cima das pedras, o pescador deve possuir calçado adequado, além de colete salvavidas e muito cuidado para pinchar suas iscas artificiais por cima das ondas. |
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2. AÇUDES E BARRAGENS
Além de toda emoção proporcionada por robalos, tarpons e companhia nos rios de água salobra, um outro tipo de pescaria, essa em água doce, vira febre entre os pescadores paraibanos no verão. Ela é feita nos muitos açudes e barragens existentes no Estado, e tem como principal alvo o tucunaré. Além de sua conhecida esportividade, que dispensa apresentações, a facilidade com que é encontrado torna-o mais do que querido entre a turma dos pinchadores. Há barragens a menos de 20 quilômetros de João Pessoa onde ele já dá o ar da graça. Embora os tucunarés-amarelos sejam maioria, em alguns açudes já há presença confirmada de espécies que atingem porte bem maior, como o badalado tucunaré-pinima. Com a chegada do verão, o volume de água desses ambientes diminui e deixa à mostra incontáveis estruturas que estavam anteriormente cobertas. Além de concentrar os peixes ao redor delas, há bem menos espaço físico para os predadores caçarem e as presas se esconderem, o que significa ação na certa em qualquer isca que cair na água. E a regra não só se aplica só para tucunarés; também vale para tambaquis e, principalmente, traíras de grande porte. As barragens de Gramame, Mamuaba, Boqueirão de Cabaceiras, Coremas e Mãe D’água são as mais procuradas nesta época, pela possibilidade de se pescar tanto embarcado como de barranco. |
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Para tucunas e traíras, um bom conjunto pode ser montado com vara de 5’6”, classe 17 libras, equipada com carretilha de perfil baixo preenchida com linha de multifilamento 0,28 mm e líder de fluorcarbono 0,50 mm. As principais iscas são jigs de penacho pesando no máximo 21 gramas, plugs de meia-água (com esferas internas) de 7, 9 e 11 centímetros, camarões artificiais e plugs de superfície de 7 e 9 centímetro com ação em ziguezague, poppers e sticks. Já para os “redondos” tambaqui e tambacu, o equipamento pode ser composto por vara de 5’6” a 6 pés, classe 25 libras, com carretilha ou molinete com capacidade para 200 metros de linha de multifilamento 0,35 mm, líder de fluorcarbono 0,60 mm, chumbada pequena tipo oliva e um empate de aço com cerca de 25 centímetros. Entre as iscas naturais indicadas estão: coração de boi, goiaba, caju e massa com essência de groselha.
* Leo Franca é guia de pesca na Paraíba. www.tarponpesca.com / tarponpesca@hotmail.com |
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